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Notícias/Economia17/08/2026· Local

54% das mulheres apostam em bets

Segundo a cientista social Beatriz Della Costa, fundadora e codiretora da CLARICE, a aposta aparece como promessa de acesso rápido a uma vida mais digna, em meio à dificuldade de fechar o orçamento, sobretudo entre as classes D e E.

 

Costa relaciona o cenário às consequências econômicas da pandemia, que atingiram especialmente mulheres que perderam o emprego ou deixaram o mercado de trabalho para cuidar da família. “As bets entram nesse buraco que ficou e que continua”, disse. Na avaliação da pesquisadora, a falta de políticas públicas para recuperar a renda dessas mulheres contribuiu para que as plataformas sejam vistas como uma alternativa mais acessível.

 

As mães apostam mais do que as mulheres sem filhos (22,7%, ante 14,6%). Além disso, 72% das apostadoras têm filhos, o que pode estar relacionado à necessidade de complementar a renda. Diferentemente dos homens, mais focados em apostas esportivas, quase metade das mulheres prefere cassinos online (48%), como roleta e o jogo do “Tigrinho”.pesquisadora ressalta que a influência não se limita às celebridades, mas envolve também “microinfluenciadores”, como amigos, vizinhos e parentes que compartilham links de apostas. O estudo mostra ainda que 37% das apostadoras já receberam algum benefício para indicar plataformas. “O que aparece nas redes sociais é só sobre ganhar. Não aparecem as pessoas que perderam”, afirma.

 

A pesquisadora destaca que o enfrentamento às bets deixou de ser apenas uma questão de governo e passou a envolver toda a sociedade. Segundo Costa, empresas já lidam com efeitos do problema entre funcionários e familiares, incluindo perda de produtividade e de capacidade de trabalho.

 

Na avaliação da cientista social, a dimensão do fenômeno exige políticas de prevenção, contenção e recuperação, além de mais informação sobre os mecanismos disponíveis.

 

Além das perdas financeiras, o jogo traz impactos emocionais severos, com relatos de ansiedade e depressão entre mulheres desde que começaram a apostar. Apenas 13% das mulheres que apostam ou já apostaram, no entanto, buscaram A pesquisa ouviu 2.008 mulheres e homens em todo o Brasil, entre 8 e 9 de julho, respeitando a distribuição populacional do Censo 2022 e da Pnad 2025. As entrevistas qualitativas ouviram 60 pessoas entre junho e agosto, com foco em mulheres de 18 a 58 anos, das classes C, D e E, no Sudeste e Nordeste.

 

Com informações da Estadão Conteúdo – Economia, Paula Martini

Fonte: wp:net3gospel.com.br:53502