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Notícias/Música31/08/2026· Local

Asaph retorna ao rap gospel com álbum inspirado em Jeremias

Asaph lança álbum Jeremias após dois anos de estudos. – Foto: @asaphlemosDepois de dois anos longe dos lançamentos musicais para se dedicar aos estudos de Filosofia, o rapper gospel Asaph, de 31 anos, volta com a música “vaso”. O cantor e compositor lançou na última terça-feira (25) o álbum Jeremias, projeto com sete faixas que reúne rap, referências bíblicas e reflexões construídas a partir de sua trajetória de fé.

O retorno foi antecipado pelos singles “Céu” e “Imperativo Categórico”. O projeto também ganhou um clipe para a música “Vaso”.  Agora, com o álbum completo disponível nas plataformas digitais, Asaph apresenta uma obra centrada no relacionamento com Deus, mas que também aborda temas como dependência, limites, vulnerabilidade e graça.

Um álbum inspirado no profeta Jeremias

A ideia para o álbum surgiu em 2021, quando Asaph passou a estudar de maneira mais intensa o livro bíblico de Jeremias. A história do profeta chamou sua atenção principalmente pela persistência em anunciar uma mensagem durante décadas, mesmo sem ser ouvido pelo povo.O rapper levou essa experiência para a construção do disco e decidiu contar a história a partir de diferentes perspectivas. “A primeira camada foi justamente esse fato de ele falar uma mensagem por duas décadas e ela não ser recebida. A segunda é a insegurança inicial do próprio profeta, se era ele o homem certo para aquilo. E a terceira camada é o fato de eu me comportar várias vezes como o povo que não escuta, que segue as próprias vontades. A narrativa do álbum é construída tanto na perspectiva do mensageiro quanto na do receptor.” Diz o cantor e compositor. 

A primeira faixa do projeto é “Céu”. Para Asaph, o álbum funciona como uma representação artística de sua leitura do livro bíblico.“O álbum é um quadro, uma tese, um print do livro de Jeremias, de aceitar a mensagem, aceitar que assim como Jeremias que ficou duas décadas falando a mensagem e ninguém escutando, aceitar a mensagem independe se ninguém estiver ouvindo.”

A experiência de ouvir o disco, segundo o artista, também passa por sentimentos aparentemente opostos.“Se fosse para prometer algo a quem vai escutar o álbum pela primeira vez, eu diria para se preparar para uma conversa dolorosa e divertida. Sabe quando você está num enterro e, do nada, os familiares estão dando risada? Não é que eles estão felizes, mas as lembranças do ente que se foi são tão boas que soa necessário ter uma despedida em paz. O álbum caminha por esses dois extremos.”

O novo álbum também representa uma mudança na maneira como o artista fala sobre sua própria fé. Ao longo da carreira, Asaph já abordou experiências pessoais consideradas difíceis de compartilhar, mas percebeu que falar sobre sua relação com Deus era, para ele, uma exposição ainda maior.  Por muito tempo, falei sobre alguns temas que pareciam muito íntimos, como o fato de eu ter pegado dinheiro com agiota, ter perdido amigos e outras coisas. Mas, no decorrer do tempo, percebi que o que era mais íntimo para mim e a coisa mais difícil de compartilhar era a minha fé. Falar sobre esse Deus que me acolheu e me ama, e que a nossa relação pode ir além de uma vida confessional, tendo-o como Amigo e Pai, é muito caro pra mim.”

Mais do que apresentar respostas, o álbum propõe uma conversa sobre o que significa permanecer diante de Deus quando existem dúvidas, limites e momentos em que a mensagem parece não encontrar quem a escute.

A Filosofia dentro da música

A formação acadêmica também influenciou a maneira como Asaph desenvolveu o novo trabalho. Formado em Publicidade e Propaganda, o artista sempre teve interesse pela possibilidade de seguir um caminho ligado ao ensino e encontrou na Filosofia uma área que ajudou a organizar questionamentos que já fazia.

Segundo ele, os estudos não transformaram Jeremias em uma obra acadêmica, mas contribuíram para o método de construção do projeto. “Não tive a pretensão de fazer uma obra filosófica, mas posso dizer que a filosofia me ajudou no processo do álbum. Entendi que não daria para fazer uma tese sobre Jeremias, mas acredito que poderia fazer um bom recorte de um assunto para que ele ficasse claro. Nisso, a filosofia se aplicou muito nesse projeto.”Para o cantor, o contato com a Filosofia também trouxe novas perguntas sobre questões existenciais e sobre a própria fé. O resultado, segundo ele, foi um olhar mais apurado para sua relação com o cristianismo. A influência dos estudos aparece inclusive no título de uma das faixas, “Imperativo Categórico”, expressão associada ao pensamento do filósofo Immanuel Kant.

A música começou dentro de casa

A relação de Asaph com a música começou ainda na infância. Filho de missionários que passaram por diferentes lugares implantando igrejas, ele cresceu em uma família na qual a arte fazia parte da rotina. Os pais e o irmão cantavam, e o ambiente familiar contribuiu para que desenvolvessem o interesse pela música e pela escrita.

O pai teve papel importante nesse processo. Além de incentivar o filho a escrever canções, apresentou referências musicais, incluindo o rap. A escrita acabou se tornando uma forma de conexão entre Asaph e sua família. Para ele, a arte também ajudava a família a atravessar diferentes momentos da vida.“Minha música é a coisa mais íntima porque é uma oração para as pessoas.”

Da publicidade para a música

A formação em publicidade e propaganda também acompanhou o desenvolvimento da carreira musical. Em 2018, Asaph começou a organizar pequenos shows ao lado da esposa e passou a participar de festivais sustentáveis e eventos que reuniam outros artistas.Inicialmente, a música era uma atividade paralela. Com o tempo, porém, o projeto ganhou proporção e passou a ser tratado de forma profissional.Em 2020, o cantor começou a apresentar seu trabalho para gravadoras e conseguiu espaço para desenvolver sua carreira. A experiência com publicidade também contribuiu para que ele entendesse melhor o funcionamento do mercado musical e enxergasse a possibilidade de viver da própria arte.

Em 2021, foi indicado ao Grammy Latino, ampliando sua presença no cenário da música cristã. Hoje, Asaph segue de forma independente, conciliando a experiência artística com as referências adquiridas durante sua formação acadêmica.

Fonte Comunhão.

Fonte: wp:net3gospel.com.br:54336