
Cardoso faz justamente esse alerta. “Podem ser satélites, balões, estrelas cadentes, aviões, drones, fenômenos eletromagnéticos, mas isso não exclui que existem, sim, do ponto de vista bíblico, manifestações satânicas. O objetivo seria fortalecer ideias e ligações relacionadas ao espiritualismo, ao misticismo, seres de outras dimensões, potestades que se passam por seres de outros mundos, trazendo mensagens para a humanidade, com ideias contrárias à Palavra de Deus”, explica.
Essa afirmação deve ser entendida como uma interpretação cristã defendida pelo pesquisador, e não como comprovação de que fenômenos UAP tenham origem demoníaca.
A Bíblia, entretanto, oferece um princípio bastante claro para o discernimento espiritual. Em 1 João 4:1, os cristãos são orientados a não acreditar indistintamente em todo espírito, mas a examiná-los. O Novo Testamento também alerta para a possibilidade de engano espiritual e orienta os cristãos a avaliar ensinamentos à luz da fé recebAssim, a questão central não deveria ser apenas: “É alienígena?” Também poderia ser: “Que tipo de experiência está acontecendo, como ela está sendo interpretada e quais consequências espirituais essa interpretação produz?”
Curiosidade não precisa significar credulidade
O próprio Cardoso defende uma postura equilibrada. “O cristão deve ter equilíbrio e não agir de forma precipitada, emocional. Antes de atribuir essas aparições a algum fenômeno, é preciso avaliar as possibilidades, se é um balão atmosférico, se estiver perto de uma região militar, se não é um drone, se mora perto de um aeroclube, analisar cada caso e a região onde mora. Mas não podemos negar o sobrenatural. É o equilíbrio que deve prevalecer.”
Essa postura também ajuda a separar três coisas que frequentemente acabam misturadas: o que foi observado, o que pode ser comprovado e aquilo em que alguém acredita que o fenômeno significa.
Um ponto luminoso no céu pode ser real. Uma gravação pode ser autêntica. Um fenômeno pode permanecer sem explicação. Nenhuma dessas três coisas, isoladamente, demonstra que houve contato com extraterrestres.
Da mesma maneira, uma experiência espiritual percebida por alguém não deve ser automaticamente transformada em uma revelação divina. Para o cristianismo, experiências precisam ser submetidas ao discernimento e à autoridade das EDe Grusch ao ET de Varginha
O fascínio pelos fenômenos aéreos não identificados está longe de ser exclusivamente brasileiro. Nos Estados Unidos, o ex-integrante da comunidade de inteligência David Grusch ganhou notoriedade ao afirmar que o governo norte-americano teria conhecimento de programas relacionados a tecnologias de origem não humana. Suas declarações foram objeto de intenso debate, mas não constituem, por si mesmas, prova pública de que extraterrestres tenham visitado a Terra.
No Brasil, um dos episódios mais conhecidos é o chamado ET de Varginha, ocorrido em 1996. Décadas depois, o caso continua alimentando livros, documentários, investigações independentes e diferentes versões sobre o que teria acontecido. Nenhum desses episódios, contudo, estabeleceu publicamente uma evidência verificável e incontestável de visita extraterrestre. É justamente essa lacuna que mantém o assunto vivo.
Entre a ciência, a fé e o desconhecido
O CE-5 acrescenta uma nova camada à velha pergunta sobre a existência de vida fora da Terra. Em vez de simplesmente observar o céu em busca de sinais, seus praticantes acreditam ser possível tomar a iniciativa e estabelecer contato.
Para alguns, trata-se de uma experiência espiritual. Para outros, uma investigação de fenômenos ainda desconhecidos. Há também quem veja nessas práticas uma nova forma de religiosidade, ainda que os participantes rejeitem esse rótulo.
Do ponto de vista científico, entretanto, não há evidência estabelecida de que meditação, telepatia ou técnicas de CE-5 tenham produzido comunicação comprovada com uma inteligência extraPara o cristão, o desafio talvez seja ainda mais amplo: manter a curiosidade sem transformar o desconhecido em objeto de fé; reconhecer os limites da ciência sem abandonar o discernimento; e não atribuir automaticamente a Deus, a anjos, a demônios ou a extraterrestres aquilo que ainda não foi suficientemente compreendido.
Fonte Comunhão.
Fonte: wp:net3gospel.com.br:53608




