
Perguntas em vez de respostas prontas
Segundo Silmara, o pensamento crítico nasce da capacidade de questionar. Por isso, os pais podem aproveitar situações corriqueiras em oportunidades de reflexão, sem transformar a educação em uma sequência de cobranças.
“Em vez de apenas repreender a criança diante de um quarto desorganizado, por exemplo, os adultos podem perguntar: “O que podemos fazer para resolver isso?”. Diante de um conflito entre amigos, outra possibilidade é questionar: “Que outra atitude poderíamos tomar?”, assinala SilmaO exemplo também educa
A construção da responsabilidade começa dentro de casa e passa diretamente pelo comportamento dos adultos. As crianças observam como os pais lidam com suas próprias obrigações e tendem a reproduzir aquilo que testemunham.
“Quando os pais assumem o cuidado para com a criança, eles também estão ensinando responsabilidade”, destaca Silmara, acrescentando que atitudes aparentemente simples podem ter valor educativo.
Organizar uma bolsa antes de sair para o trabalho, separar documentos ou cuidar da própria rotina são comportamentos que, de acordo com Silmara, demonstram aos filhos que cada pessoa precisa assumir suas tarefas. “As crianças aprendem muito pelo espelho, a assumir as próprias responsabilidades também”, salienta.
A partir desse exemplo, ela diz, os pais podem incluir os filhos gradualmente nas tarefas compatíveis com a idade, como guardar brinquedos, colocar roupas no cesto, organizar o material escolar ou cumprir as atividades da escola. Para a especialista, essa cobrança deve existir, mas sem transformar a rotina em um ambiente de pressão. “Nós não estamos falando de alta pressão. Estamos falando de refletir sobre o que precisa ser feito”, rePara a especialista, a abordagem da indagação permite que a criança identifique problemas e, ao mesmo tempo, procure alternativas para solucioná-los. “Não é apenas um exercício de reclamação, mas uma forma de olhar as dificuldades e encontrar novas possibilidades”, afirma.
Esse processo também ajuda os filhos a desenvolverem discernimento diante de conteúdos aos quais estão expostos, inclusive imagens e informações nas redes sociais. A proposta, segundo Silmara, não é esconder das crianças tudo o que existe de errado no mundo, mas ensiná-las a reconhecer comportamentos inadequados e pensar em respostas mais responsáveiA linguagem e as expectativas também precisam considerar a idade, assevera Silmara. Ela pondera que uma criança de 3 ou 4 anos, por exemplo, ainda não possui a mesma compreensão de tempo que um adulto. Por isso, tarefas menores e períodos mais curtos tendem a ser mais adequados.
Autonomia e limites
A autonomia é construída progressivamente. Por isso, tarefas simples e repetidas ajudam a criança a compreender que responsabilidade faz parte da vida cotidiana. “É assim que se desenvolve das pequenas responsabilidades para as grandes responsabilidades”, afirma Sumara.
Se o combinado familiar é que a criança arrume a própria cama diariamente, por exemplo, é necessário que essa regra seja mantida com constância. “O mesmo vale para o cumprimento da palavra e a resolução de pequenos conflitos”, assinala.
A especialista também considera importante reconhecer os esforços da criança. Um elogio, um abraço ou até uma atividade especial podem demonstrar que os pais perceberam seu empenho.
“Isso não significa que nós estamos chantageando a criança, mas reconhecendo, ao final de todos os seus combinados, que estamos olhando para aquilo que ela fez”, esclarece.
A formação da autonomia também depende da existência de limites. Para Silmara, a criança precisa aprender que suas escolhas produzem consequências e que os combinados familiares devem ser respeitados.
Quando uma atividade de lazer é condicionada ao cumprimento de determinadas tarefas, por exemplo, os pais precisam manter o acordo estabelecido. “Se a criança não cumpriu o combinado, deve compreender que terá de concluir seus compromissos antes do momento de diversão”, recomenda Silmara, finalizando que isso precisa ocorrer a partir de uma postura dos pais “sem exageros, sem pressão, mas com clareza, com firmeza, com amorosidade, com o objetivo de encaminhar sempre as crianças para o caminho da auto responsabilidade e da autonomia”.
Fonte Comunhão.
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