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Notícias/Notícias20/08/2026· Local

Dormir mais melhora desempenho de estudantes, aponta estudo

Estudo revela que mais sono melhora notas de universitários. – Foto: Reprodução IA
 

Dormir não é apenas uma pausa entre um dia de estudos e outro. Para estudantes universitários, aumentar o tempo de descanso pode ter impacto direto no desempenho acadêmico. É o que mostra um experimento realizado com mais de 1.100 universitários nos Estados Unidos e publicado no Journal of Political Economy.

A pesquisa, conduzida pelos economistas Osea Giuntella, Silvia Saccardo e Sally Sadoff, buscou investigar uma questão que estudos observacionais já haviam levantado: estudantes que dormem mais tendem a apresentar melhores resultados acadêmicos, mas será que aumentar efetivamente o tempo de sono provoca essa melhora?

Para responder à pergunta, os pesquisadores realizaram uma intervenção durante quatro semanas. Os participantes utilizaram dispositivos Fitbit para monitorar o sono e receberam estratégias destinadas a ajudá-los a alcançar pelo menos sete horas de descanso por noite. Entre elas estavam lembretes personalizados, informações sobre o próprio padrão de sono e incentivos financeiros.Antes da intervenção, os estudantes dormiam, em média, apenas 6,6 horas por noite. Apenas 43% alcançavam sete horas ou mais durante as noites de semana. O resultado mostra que a privação de sono é uma realidade comum no ambiente universitário, especialmente entre jovens que precisam conciliar aulas, estudos, trabalho, vida social e uso de telas.

Durante o experimento, os participantes aumentaram o tempo de sono em aproximadamente 19 minutos por noite. A proporção de noites em que atingiam pelo menos sete horas de descanso também cresceu 26%.

A mudança, embora pareça pequena, veio acompanhada de uma diferença mensurável nas notas. Os estudantes que participaram da intervenção apresentaram uma melhora média entre 0,075 e 0,089 ponto nas notas das disciplinas, equivalente a aproximadamente 0,10 a 0,11 desvio-padrão.

O efeito também não desapareceu completamente quando os incentivos terminaram. Depois da intervenção, os participantes ainda dormiam aproximadamente oito minutos a mais por noite do que antes. Para os pesquisadores, o resultado sugere que mudanças relativamente pequenas podem ajudar a estabelecer hábitos de sono mais duradouros.

Menos madrugada, mais aprendizado

Outro aspecto observado pela pesquisa foi a mudança na rotina dos estudantes. Ao dormir mais, eles reduziram o uso de telas durante a noite e passaram a realizar parte dos estudos pela manhã. O tempo total dedicado às atividades acadêmicas, porém, não diminuiu.

Ou seja, o ganho não parece ter vindo simplesmente de trocar horas de estudo por horas de sono. A hipótese é que dormir melhor tenha contribuído para melhorar as condições em que os estudantes aprendiam e realizavam suas atividades acadêmicas.

Os resultados foram especialmente fortes entre calouros, estudantes de áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) e alunos matriculados em disciplinas realizadas aproximadamente no meio do dia.

O recado vai além da universidade

Embora o estudo tenha sido realizado com universitários, os resultados ajudam a reforçar uma questão mais ampla: o sono precisa ser considerado parte da rotina de aprendizagem, e não um obstáculo a ela.Em uma cultura acadêmica na qual noites maldormidas muitas vezes são tratadas como sinal de dedicação, a pesquisa aponta na direção contrária. Estender o período diante dos livros até a madrugada pode não representar necessariamente mais produtividade.

O estudo não significa, contudo, que qualquer pessoa terá notas melhores simplesmente por dormir alguns minutos a mais. Os pesquisadores analisaram uma intervenção específica, com universitários e acompanhamento controlado. Ainda assim, os resultados oferecem evidências de que aumentar o tempo de sono pode produzir uma melhora real no desempenho acadêmico.

A conclusão é especialmente relevante para estudantes que costumam sacrificar o descanso para estudar. Em vez de enxergar o sono como tempo perdido, a pesquisa sugere que ele pode fazer parte da própria estratégia de aprendizagem.

No fim das contas, para quem está diante de uma prova, talvez a escolha entre mais uma hora de revisão e algumas horas de sono não seja tão simples quanto parece. Em determinadas situações, fechar o livro e dormir pode ser uma decisão acadêmica também.

Fonte Comunhão.

 

Fonte: wp:net3gospel.com.br:53736