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Notícias/Destaque28/08/2026· Local

Fé pesa no voto, mas não decide sozinha

O mesmo fenômeno aparece quando a pergunta aborda os programas de governo. A identidade religiosa tem maior peso entre determinados grupos e bases eleitorais, mas isso não significa necessariamente que esses eleitores estejam defendendo um Estado organizado exclusivamente a partir de princípios religiosos.

 

Por que os evangélicos continuam no centro da disputa?

A pesquisa ajuda a explicar por que o eleitorado evangélico permanece como um dos principais campos de disputa da eleição presidencial de 2026. O segmento é uma das principais bases eleitorais de Flávio Bolsonaro, enquanto Lula vem tentando diminuir a resistência entre os evangélicos. Segundo o levantamento, 61% dos evangélicos desaprovam o governo Lula, cenário que ajuda a explicar a dificuldade do petista em avançar nesse grupo.

 

A movimentação política em torno desse eleitorado tem sido intensa. Lula ampliou o diálogo com lideranças evangélicas e participou de agendas voltadas ao segmento. A primeira-dama Janja também passou a aparecer em iniciativas de aproximação com representantes do universo gospel. Do outro lado, Flávio procura consolidar sua vantagem entre os evangélicos, explorando pautas de costumes e uma linguagem política explicitamente associada Isso ocorre em um momento no qual a corrida presidencial se apresenta bastante apertada. Na mesma rodada do PoderData/Aya, divulgada em 27 de agosto, Lula aparece com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 35% de Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno, os dois também aparecem tecnicamente empatados: 45% para Lula e 44% para Flávio.Fé, identidade e escolha política

O levantamento sugere, portanto, que o papel da religião na eleição não pode ser medido apenas pela pergunta sobre se a fé “define” o voto.

 

Existe uma diferença entre voto determinado pela religião, identidade religiosa associada a determinadas posições políticas e avaliação política influenciada por valores religiosos.

 

É nesse espaço intermediário que os dados ganham relevância. A maioria dos brasileiros não quer que a religião do candidato seja o principal critério para escolher seu voto e tampouco defende que crenças religiosas determinem os programas de governo. Ainda assim, os grupos religiosos apresentam comportamentos eleitorais diferentes e ajudam a formar as bases de apoio dos candidatos.

 

Para os evangélicos, isso significa que o segmento continua eleitoralmente estratégico, mas não deve ser tratado como um bloco homogêneo. A própria pesquisa mostra que mais de um terço dos evangélicos não considera a religião do candidato importante para votar, enquanto uma parcela ainda maior não necessariamente defende que crenças religiosas orientem integralmente os programas de gA disputa de 2026, nesse sentido, coloca uma questão importante para candidatos e igrejas: até que ponto a fé influencia a política sem necessariamente determinar o voto?

 

A resposta da pesquisa parece estar menos em um “voto religioso” uniforme e mais na combinação entre fé, valores, avaliação de governo, identidade política e circunstâncias concretas da eleição.

 

O que diz a pesquisa

63% não consideram a religião do candidato importante para definir o voto

 

31% consideram a religião importante

 

68% não defendem programas de governo orientados pela crença religiosa

 

24% defendem essa influência

 

44% dos evangélicos consideram importante a religião do candidato

 

46% dos evangélicos declaram voto em Flávio Bolsonaro

 

26% dos evangélicos declaram voto em Lula

Fonte Comunhão.

Fonte: wp:net3gospel.com.br:54113