
O eleitorado evangélico aparece novamente como um dos principais desafios para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela Presidência em 2026. A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na última sexta-feira (21), mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 62% das intenções de voto entre os evangélicos em um eventual segundo turno, contra 29% de Lula. A diferença chega a 33 pontos percentuais e é uma das maiores observadas entre os diferentes segmentos analisados pelo instituto.
O resultado também chama atenção quando comparado à pesquisa anterior do próprio Datafolha. Em julho, Flávio aparecia com 60% entre os evangélicos, enquanto Lula tinha 31%. Em pouco menos de um mês, portanto, a vantagem do senador passou de 29 para 33 pontos. A oscilação está dentro das margens de erro dos recortes, mas o dado reforça a permanência de uma forte preferência do eleitorado evangélico por Flávio.
O cenário é praticamente o inverso entre os católicos. Nesta pesquisa, Lula alcança 54% contra 36% de Flávio Bolsonaro nesse grupo. Em julho, os percentuais eram 54% e 37%, respectivamente. A diferença entre os dois grupos religiosos é, portanto, expressiva: enquanto Lula abre 18 pontos entre católicos, Flávio chega a 33 pontos de vantagem entre evangéliA comparação com outros segmentos ajuda a dimensionar o peso desse comportamento. Lula também lidera entre mulheres, por 51% a 38%; pessoas negras, por 55% a 37%; e eleitores com renda de até dois salários mínimos, por 55% a 35%. Flávio, além dos evangélicos, aparece à frente entre os homens, com 48% contra 43%, e entre os eleitores de renda mais alta.
No cenário geral, porém, a vantagem é de Lula. Em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, o presidente registra 47% das intenções de voto, contra 43% do senador, uma diferença de quatro pontos percentuais. O resultado é semelhante ao levantamento anterior do Datafolha, quando Lula tinha 48% e Flávio, 43%. A fotografia nacional, portanto, mostra uma disputa apertada, mas os recortes revelam blocos eleitorais bastante diferentes.
É justamente nesse contraste que o voto evangélico ganha importância para as campanhas. O segmento não apenas apresenta uma vantagem expressiva para Flávio, como também se comporta de maneira distinta de outros grandes grupos religiosos. A distância de 33 pontos entre os candidatos supera, por exemplo, a vantagem de Lula entre católicos e se torna um dos recortes mais marcantes da pesquisa. A margem de erro específica para os evangélicos é de cerca de quatro pontos percentuais.
O histórico recente do Datafolha mostra que essa diferença não surgiu agora. Na primeira pesquisa nacional do instituto em 2026, divulgada em janeiro, Flávio já aparecia com vantagem significativa sobre Lula entre os evangélicos, enquanto o petista liderava entre católicos. Desde então, as rodadas seguintes mantiveram a religião como uma das variáveis que mais distinguem o comportamento eleitoral dos dois gA força de Flávio entre os evangélicos ajuda a explicar a movimentação do PT para tentar ampliar o diálogo com esse segmento. Nesta segunda-feira (24), o partido lança o Comitê Nacional Evangélicos, iniciativa que pretende mobilizar lideranças e representantes evangélicos de diferentes regiões do país. A estratégia busca enfrentar justamente uma das maiores desvantagens eleitorais identificadas pelas pesquisas.
O levantamento mais recente foi realizado pelo Datafolha nos dias 18 e 19 de agosto, com 2.058 eleitores em 128 municípios. A margem de erro da pesquisa nacional é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04496/2026.
Fonte Comunhão.
Fonte: wp:net3gospel.com.br:53891




