
escolha mostra que o segmento religioso não está apenas sendo cortejado nos discursos. Ele passou a fazer parte da engrenagem de mobilização da campanha. A Paulista, tradicional palco de manifestações bolsonaristas, será também um teste para medir a capacidade de Flávio de herdar a força popular construída pelo pai.
Michelle lidera corrida ao Senado no DF
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) aparece na liderança da disputa pelas duas vagas ao Senado pelo Distrito Federal, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira (25). Ela tem 25% das intenções de voto, oito pontos à frente de Leila do Vôlei (PDT), que aparece com 17%. Erika Kokay (PT) tem 12%, e Bia Kicis (PL), 9%.
O levantamento ouviu 1.104 eleitores entre 21 e 24 de agosto e tem margem de erro de três pontos percentuais. O resultado reforça a força eleitoral de Michelle no DF e torna ainda mais relevante sua permanência na corrida pelo Senado, justamente quando seu nome volta a aparecer nas especulações sobre a chapa presidencial de Flávio BolsoMichelle ainda pode virar vice de Flávio?
A possibilidade voltou a circular na Faria Lima e entre representantes do setor produtivo: Michelle poderia substituir Alfredo Gaspar na vice de Flávio Bolsonaro. A hipótese, porém, é tratada como praticamente descartada tanto pelo entorno do candidato quanto por pessoas próximas à ex-primeira-dama. A informação foi publicada pelo PlatôBR nesta terça-feira (25)Do ponto de vista jurídico, a troca ainda seria possível, mas exigiria a renúncia de Michelle à candidatura ao Senado e a saída formal de Gaspar da chapa presidencial. A legislação prevê substituição de candidatos em determinadas situações, com prazo geral de até 20 dias antes da eleição. Na política, portanto, a porta ainda existe; nos bastidores, porém, dizem que ela está praticamente fechada.
Janja entra em campo pelo voto evangélico
Com Lula atrás de Flávio nesse eleitorado, Janja assumiu um papel mais explícito na tentativa de aproximação com os evangélicos. Em vídeo apresentado no lançamento do comitê “Evangélicos e Evangélicas com Lula”, ela falou sobre solidariedade, igualdade, acolhimento e cidadania e afirmou que esses valores dialogam com a fé cristã.
A estratégia inclui outras frentes: o PT lançou jingle gospel, divulgou uma carta dirigida aos evangélicos e avalia novos eventos com representantes do segmento. A movimentação é mais intensa do que a registrada na campanha de 2022 e ocorre justamente quando a pesquisa Datafolha aponta uma diferença de 33 pontos percentuais entre Flávio e Lula no eleitorado evangélico.
A guerra pelo “cristão de verdade”
A disputa ganhou um componente mais delicado: a tentativa de definir quem é um cristão legítimo na política. Reportagem da Folha mostra que políticos e influenciadores conservadores passaram a questionar a fé de nomes ligados à esquerda que se apresentam como evangélicos ou procuram dialogar com esse Eliziane Gama, Kleber Lucas e João Campos estão entre os nomes citados. O argumento dos críticos é que determinadas posições políticas seriam incompatíveis com a fé defendida por esses políticos. A consequência é uma espécie de “certificação política da fé”, em que a posição ideológica começa a ser utilizada como critério para determinar quem seria ou não um cristão legítimo.
Malafaia perde protagonismo na Paulista
Outro detalhe da operação de Flávio chama atenção: a mobilização para o 7 de Setembro não ficará concentrada em Silas Malafaia, como ocorreu em manifestações anteriores. A campanha optou por uma comissão com representantes de diferentes denominações.
A mudança pode indicar uma tentativa de ampliar o alcance da articulação religiosa e evitar que a mobilização fique associada exclusivamente a uma liderança. Politicamente, significa também distribuir a interlocução com um eleitorado que não é homogêneo e que, apesar da preferência majoritária pela direita, possui diferentes correntes, igrejas e sensibilidades.
O voto cristão virou território de disputa
O que está em jogo é maior do que uma vantagem de pesquisa. O “voto cristão” tornou-se uma espécie de território eleitoral que os dois lados tentam reivindicar. Flávio aposta na identificação construída pelo bolsonarismo com parte expressiva das igrejas evangélicas. Lula tenta responder apresentando valores sociais associados ao cristianismo e ampliando o diálogo com lideranças e fiéis.
Enquanto isso, dentro do próprio universo evangélico cresce uma discussão sobre os limites dessa mistura entre fé e política. O cenário de 2026 deixa uma pergunta incômoda sobre a mesa: até que ponto a disputa pelo voto pode transformar a identidade cristã em uma espécie de documento partidário? A resposta, ao que tudo indica, ainda será disputada nas igrejas, nas redes e, sobretudo, nas urnas.
Fonte Comunhão.
Fonte: wp:net3gospel.com.br:53964




