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Notícias/Internacional13/08/2026· Local

Justiça do Irã condenou a fotojornalista Yalda Moaiery, conhecida por registrar cenas de guerras, protestos e o dia a dia das mulheres iranianas, a 15 anos de prisão. A sentença foi proferida no último sábado (8), data em que o país comemora o Dia Nacional do Jornalista.

fotojornalista iraniana Yalda Moaiery | ReutersA condenação tem como base uma lei promulgada em 2025, após um conflito armado entre Irã e Israel que se estendeu por 12 dias. De acordo com as autoridades iranianas, o objetivo dessa legislação é combater atos de espionagem e evitar que cidadãos iranianos cooperem com estados hostis ao regime.

 

Em um relato enviado por Moaiery à agência de notícias Reuters, a fotógrafa alegou que, quando chegou ao Tribunal Revolucionário em Teerã, não teve acesso aos documentos do processo e que uma amiga sua teve que copiar à mão os detalhes da acusação. Organizações de defesa dos direitos humanos criticam a falta de transparência do judiciário iraniano. “Os indivíduos são privados do acesso a advogados independentes, por vezes, até mesmo durante o julgamento, e não têm acesso a um advogado antes da fase de julgamento, basicamente até que as investigações preliminares estejam concluídas”, explica Bahar Saba, pesquisador sênior sobre o Irã na Human Rights Watch.

 

De acordo com as anotações feitas pela amiga de Moaiery, as acusações contra a fotojornalista incluem a concessão de entrevistas a veículos de comunicação considerados hostis pelas autoridades iranianas e o fornecimento de fotografias a organizações que possuem ligações com os Estados Unidos e Isrencaminhado “à 33ª Vara da Procuradoriapaís

 

A fotógrafa relatou que agentes do regime teocrático invadiram sua casa duas vezes. “No inverno passado, poucos dias depois de milhares de jovens terem sido mortos nas ruas, a Guarda Revolucionária Islâmica invadiu minha casa e confiscou meu celular, meu laptop e alguns dos meus equipamentos eletrônicos. Um mês depois, por eu ter tirado fotos durante os 44 dias de guerra, eles invadiram minha casa novamente, desta vez sem mandado. Nessa ocasião, levaram tudo, inclusive as câmeras que eu tinha desde criança”, narrou.

 

Interrogatórios

Ela também contou que, após as invasões, foi submetida a vários interrogatórias até que seu caso fosse encaminhado “à 33ª Vara da Procuradoria de Segurança e, posteriormente, ao Tribunal Revolucionário.” A fotógrafa tem dez dias para recorrer da decisão. O porta-voz da Missão do Irã nas Nações Unidas em Nova York não respondeu ao pedido de comentário sobre o caso de MoaA fotojornalista já havia passado períodos encarcerada em outras ocasiões. A última delas foi em 2022, quando ela fico três meses atrás das grades por cobrir os protestos nacionais “Mulher, Vida, Liberdade”, que eclodiram após a morte da jovem iraniana Mahsa Amini, assassinada sob custódia policial.

SBT news.

Fonte: wp:net3gospel.com.br:53308