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Notícias/Notícias26/08/2026· Local

Pastores devem equilibrar fé e política

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O equilíbrio está em distinguir a atuação pessoal do líder, como cidadão que pode manifestar apoio a candidatos fora do ambiente religioso, e a posição institucional da igreja, que deve permanecer livre para confrontar qualquer governo ou partido à luz da Palavra de Deus – Foto: Reprodução

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O engajamento político de pastores e líderes religiosos é um tema que gera debates intensos no Brasil. De um lado, há quem defenda que a fé deve ser vivida de forma integral, refletindo em todas as áreas da vida, inclusive nas escolhas políticas. De outro, críticos alertam para os riscos da instrumentalização da igreja por interesses partidários.

No entanto, o equilíbrio está em distinguir a atuação pessoal do líder, como cidadão que pode manifestar apoio a candidatos fora do ambiente religioso, e a posição institucional da igreja, que deve permanecer livre para confrontar qualquer governo ou partido à luz da Palavra de Deus.

Pesquisa do Datafolha, realizada em 2024 na cidade de São Paulo (SP), pode servir de termômetro para o restante do Brasil: a maioria dos eleitores evangélicos afirmou ser contra pastores usarem o púlpito para indicar votos aos fiéis durante o período eleitoral.

Para 56%, seria melhor que os líderes religiosos não apoiassem um candidato em época de eleições. Outros 70% desaprovam qualquer indicação de voto do pastor. A citação do nome de políticos durante o culto também não agrada 76% dos crentes.

Nesse contexto, o pastor presbiteriano Isaías Lobão, professor de Teologia e membro do Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR), argumenta que a Igreja não pode se isentar do debate político, mas precisa manter sua fidelidade exclusiva ao Evangelho. Isto porque a separação entre fé e política é uma “ficção criada pelo humanismo secular” para limitar a soberania de Cristo.

“O cristão é chamado a aplicar a lei de Deus em todas as áreas da vida. O pastor, o presbítero, o diácono todos são homens integrais. Não deixam sua fé na porta da praça pública. Neutralidade é impossível”, atesta.

Lobão alerta, no entanto, para o risco de transformar o púlpito em palanque. “O pregador não tem mandato para exaltar candidatos. Seu dever é confrontar todos com a lei de Deus e chamar à submissão a Cristo. Quando a mensagem bíblica coincide em denunciar políticas anticristãs, isso não é propaganda, é fidelidade. Propaganda acontece quando o pregador abandona a Palavra para repetir slogans partidários.”

Para ele, o maior perigo não está no voto pessoal do líder cristão, mas na confusão entre missão da congregação e interesses eleitorais. “Se a igreja trocar sua vocação eterna pela defesa de projetos passageiros, perderá sua credibilidade. A autoridade pastoral é espiritual, mas não é apolítica, porque proclama que Cristo é Rei sobre todas as nações”, sustenta Isaías.

Lobão ainda enfatiza que a confiabilidade da igreja não depende da aprovação pública, mas de sua fidelidade à Escritura. “O mundo quer uma igreja silenciosa; Deus quer uma igreja fiel. A história mostra que igrejas que tentaram agradar ao mundo foram esquecidas, mas as que enfrentaram os poderes em nome de Cristo marcaram gerações.”

Discernimento e responsabilidade

Já o pastor Wagner Escatamburgo, da Assembleia de Deus Ministério Vale das Virtudes, em Jardim Trianon, Taboão da Serra (SP), avalia que a relação entre fé e política exige discernimento e responsabilidade pastoral. Para ele, o papel da liderança espiritual é ensinar, aconselhar e corrigir com amor, sempre respeitando a liberdade de escolha dos fiéis. “Um líder não pode ser dominador ou impositivo. Cristo sempre deu liberdade de escolha, ainda que muitos optassem pelo caminho errado”, afirma,

Fotocitando Romanos 14:5 e 14:12.

Wagner Escatamburgo afirma que o líder deve respeitar a liberdade de escolha dos membros, e não ser impositivo ou dominador – Foto: Arquivo Pessoal
Comunhão.

Fonte: wp:net3gospel.com.br:54027