
Em agosto, a revista The Atlantic estampou na capa a frase “A Era da Leitura Acabou”. Rose Horowitch, jornalista da publicação e autora do ensaio amplamente compartilhado em 2024, “Os Estudantes das Universidades de Elite Que Não Conseguem Ler Livros”, argumenta que os Estados Unidos se tornaram pós-literatos. Segundo ela, a queda no hábito de leitura atravessa faixas etárias, gêneros e níveis educacionais, e que a compreensão e a capacidade de síntese também estão sendo afetadas.
Porém, dois pesquisadores que estudam exatamente essa questão apresentam dados contrários. Kathi Inman Berens e Rachel Noorda, professoras de edição na Portland State University, conduziram o estudo da Cambridge University Press intitulado “Como a Geração Z Descobre e Consome Livros”, baseado em três ondas de pesquisas nacionais representativas realizadas em 2020, 2022 e 202De acordo com as pesquisadoras, os dados de 2025 indicam que 66% da Geração Z se identificam como leitores, o que representa um aumento de 14 pontos percentuais em relação a 2022. O crescimento está concentrado no formato impresso: 65% dos jovens leram ao menos um livro impresso nos últimos 12 meses, contra 59% em 2022. Além disso, o formato físico é o preferido da Geração Z.O retorno ao livro impresso e o papel das bibliotecas
As pesquisadoras relacionam essa preferência por livros impressos a um motivo que vai além da nostalgia: uma busca por “desintoxicação digital”, ou seja, o desejo de se afastar do excesso de telas digitais. Esse fator tem impulsionado a valorização do livro físico entre os jovens.
Outro dado relevante da pesquisa é o aumento do papel das bibliotecas no processo de descoberta de livros. Cerca de 36% da Geração Z afirmou ter encontrado um livro por meio de um bibliotecário, um salto significativo em relação aos 15% registrados em 2022. Além disso, os levantamentos indicaram que jovens que não frequentam bibliotecas apresentam maiores índices de solidão em comparação àqueles que as visitam.
Enquanto Horowitch sustenta que o declínio da leitura ocorre em todas as faixas etárias, os dados mais recentes mostram que, entre os mais jovens, a tendência é contrária: a leitura está aumentando, especialmente em formato impresso.
Esses resultados sinalizam uma mudança importante no comportamento da Geração Z, que, apesar da forte presença digital, demonstra uma valorização crescente do livro impresso e da experiência proporcionada pelas bibliotecas, reforçando o papel dessas instituições na promoção da leitura e do bem-estar Em suma, a Geração Z não apenas está lendo mais, mas também está redescobrindo a importância do livro impresso como meio preferido de consumo literário, desafiando a ideia de que a era da leitura estaria chegando ao fim.
(Com informações de RELEVANT – Relevantmagazine)
Fonte: wp:net3gospel.com.br:54219




