
Eleitores enfrentam chuva durante votação no 1º turno em Mato Grosso do Sul A abstenção em MS chegou a 23,88% no 1º turno de domingo (4), dia marcado por chuva forte em várias regiões do Estado. No total, 482.860 dos 2.021.869 eleitores aptos não foram às urnas, segundo a totalização do TSE. É o maior índice em eleições gerais desde 2014, conforme levantamento divulgado pelo Correio do Estado. A chuva causou alagamentos e cortes de energia, mas não explica sozinha o recorde. A ausência cresceu em 60 dos 79 municípios, inclusive em cidades onde quase não choveu, e a abstenção já vinha subindo eleição após eleição. Tendência de alta Os 10 maiores colégios eleitorais de MS: abstenção e brancos e nulos para governador, 2022 x 2026 Cidade Eleitores 2026 Abstenção 2022 Abstenção 2026 Variação (p.p.) Brancos + nulos 2022 Brancos + nulos 2026 Campo Grande 639.433 17,57% 20,13% +2,56 6,66% 11,81% Dourados 166.121 20,83% 20,24% -0,60 9,21% 11,27% Três Lagoas 88.502 25,26% 26,42% +1,16 11,89% 16,28% Ponta Porã 69.949 24,40% 25,43% +1,02 8,62% 13,01% Corumbá 67.546 25,53% 24,04% -1,49 6,94% 11,38% Naviraí 37.528 24,32% 26,22% +1,90 9,39% 12,52% Aquidauana 36.391 26,18% 29,07% +2,89 5,14% 8,52% Nova Andradina 35.628 25,39% 29,28% +3,89 8,00% 12,33% Sidrolândia 35.153 22,37% 27,44% +5,07 7,19% 11,53% Paranaíba 31.503 24,68% 25,99% +1,32 9,71% 13,65% Mato Grosso do Sul 2.021.869 22,10% 23,88% +1,78 7,36% 11,42% Em 2014, a abstenção no 1º turno em MS foi de 20,53%. Passou para 21,21% em 2018 e para 22,08% em 2022, segundo o mesmo levantamento. A alta de 2026, de cerca de 1,8 ponto, é a maior da série, mas segue a mesma direção das anteriores. No país, a abstenção na eleição presidencial deste ano foi de 21,08%, abaixo da registrada em MS. As 10 maiores abstenções de MS em 2026, com comparação a 2022 Cidade Eleitores 2026 Abstenção 2022 Abstenção 2026 Variação (p.p.) Brancos + nulos 2022 Brancos + nulos 2026 Inocência 7.251 29,13% 35,44% +6,31 6,92% 11,62% Nova Alvorada do Sul 16.244 28,90% 34,41% +5,51 7,32% 11,25% Santa Rita do Pardo 5.541 26,02% 33,75% +7,73 6,69% 12,69% Paranhos 9.433 26,42% 33,67% +7,25 7,12% 9,83% Água Clara 13.463 31,79% 33,49% +1,70 8,41% 11,67% Tacuru 7.003 26,95% 33,41% +6,46 5,39% 9,33% Porto Murtinho 8.647 32,58% 33,29% +0,71 5,23% 9,00% Brasilândia 9.576 31,86% 31,71% -0,14 7,92% 11,53% Ribas do Rio Pardo 16.368 29,32% 31,08% +1,76 10,20% 12,53% Itaquiraí 14.628 28,05% 30,76% +2,71 6,92% 10,06% Mato Grosso do Sul 2.021.869 22,10% 23,88% +1,78 7,36% 11,42% Fonte: TSE (1º turno, eleição para governador; 2022 pelos dados abertos e 2026 pela totalização com 100% das seções apuradas). Variação em pontos percentuais. Abstenção calculada sobre o eleitorado apto; brancos e nulos, sobre o total de votos para governador. Dia de temporal Segundo balanço do Cemtec divulgado na segunda-feira (5), choveu 138,2 mm em uma fazenda de Corumbá e 77,4 mm na área urbana do município. Bonito registrou 108,8 mm, Aquidauana 88,2 mm e Campo Grande 64,2 mm. As rajadas de vento chegaram a 89,6 km/h em Ivinhema. A Justiça Eleitoral registrou falta de energia em 19 municípios, de acordo com o Campo Grande News. Algumas urnas chegaram a nível crítico de bateria, mas a votação não foi interrompida. O presidente do TRE-MS, desembargador Carlos Eduardo Contar, disse que esperava um índice maior. “Até aquele momento a abstenção era muito grande aqui na Capital. Eu acreditava que o número seria bem maior”, afirmou. Segundo ele, “a população compareceu, caiu muito e ficou dentro da média histórica”. Onde a chuva pode ter pesado Em Campo Grande, onde houve alagamentos durante a votação, a abstenção subiu de 17,57% em 2022 para 20,13%. Se a taxa da eleição anterior tivesse se repetido, cerca de 16 mil eleitores a mais teriam votado na Capital. Outras cidades com chuva forte também tiveram alta acima da média estadual: Ivinhema (mais 3,9 pontos), Bonito (mais 3,5) e Aquidauana (mais 2,9). O padrão, porém, não se repete em todo o Estado. Em Corumbá, que teve o maior volume de chuva registrado, a abstenção caiu de 25,53% para 24,04%. Em Dourados, com chuva prevista para o dia inteiro, passou de 20,83% para 20,24%. A reportagem cruzou a variação da abstenção em cada município com estimativas de chuva para o horário de votação, geradas pelo modelo meteorológico Open-Meteo. Nas cidades com mais chuva estimada, a abstenção subiu em média 2,3 pontos. Nas com menos chuva, 1,5 ponto. A diferença indica que o tempo pode ter contribuído, mas a relação estatística é fraca, e as estimativas do modelo podem diferir dos volumes medidos nas estações. Brancos e nulos crescem em todas as cidades O voto branco e nulo , que dependem da escolha de quem foi à urna, também cresceram. Na eleição para governador, somaram 175.711 votos, 11,42% do total. Em 2022, foram 114.212, ou 7,36%. O índice subiu nos 79 municípios. Somando abstenção, brancos e nulos, 658.571 eleitores, ou 32,6% do eleitorado, não escolheram nenhum candidato ao governo. O governador reeleito Eduardo Riedel (PP) teve 914.323 votos, 67,07% dos válidos. Brancos e nulos não entram na conta dos votos válidos e não alteram o resultado. As seis cidades com os maiores percentuais de brancos e nulos para governador ficam no leste do Estado: Três Lagoas (16,28%), Aparecida do Taboado (15,64%), Cassilândia (15,11%), Chapadão do Sul (13,88%), Paranaíba (13,65%) e Selvíria (13,60%). Em Três Lagoas, o índice já era o mais alto entre as cidades da tabela em 2022 (11,89%) e subiu mais 4,4 pontos. Na disputa para o Senado, em que cada eleitor tinha dois votos, brancos e nulos chegaram a 15,27%, o maior percentual entre todos os cargos. O eleitor volta às urnas no segundo turno da eleição presidencial. Quem não votou no domingo precisa justificar a ausência à Justiça Eleitoral ou pagar multa. O post Abstenção em MS bate recorde em 2026; chuva pesou, mas não explica tudo apareceu primeiro em RCN67 .
Fonte: Local — Ler matéria original




