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Notícias/SAÚDE02/10/2026· Local

Ansiedade eleitoral: calma, Deus continua no controle! Entre pesquisas, redes sociais e discussões políticas, a ansiedade cresce. Saiba como cuidar da mente e lembrar que o controle não está nas mãos humanas

A ansiedade eleitoral cresce entre os brasileiros antes das eleições de 2026. - Foto: Reprodução IA

O Brasil chega ao primeiro turno das eleições de 2026, neste domingo (4), carregando não apenas dúvidas sobre o futuro político, mas também um ambiente marcado por tensão, polarização, excesso de informação e medo. Para muitos brasileiros, acompanhar pesquisas, debates, notícias e discussões nas redes sociais deixou de ser apenas uma forma de participar da vida pública e passou a interferir no sono, no humor, nos relacionamentos e na sensação de segurança. 

Uma pesquisa Datafolha realizada em março ajuda a dimensionar o estado emocional do país antes da chegada às urnas. Naquele momento, 69% dos entrevistados disseram sentir insegurança quando pensavam no Brasil. Desânimo e medo do futuro foram mencionados por 61% cada, enquanto tristeza apareceu em 59%. No sentido oposto, apenas 37% disseram sentir confiança no futuro e 38%, felicidade. A ciência também passou a estudar um fenômeno mais específico: a chamada ansiedade política. Pesquisa publicada em 2024 na revista Politics and the Life Sciences, com 436 participantes, concluiu que a ansiedade relacionada à política não parece ser simplesmente uma manifestação da ansiedade generalizada. Em outras palavras, uma pessoa pode não apresentar níveis elevados de ansiedade em sua vida cotidiana e, ainda assim, experimentar preocupação e apreensão intensas diante de acontecimentos políticos.Em seu levantamento de 2024, a American Psychological Association encontrou 69% dos adultos considerando a eleição presidencial uma fonte significativa de estresse, índice superior aos 52% registrados em 2016. A pesquisa também mostrou que 77% apontavam o futuro do país como uma fonte importante de estresse e 72% demonstravam preocupação de que o resultado eleitoral pudesse levar a episódios de violência.

Especialistas ouvidos pela própria APA destacam que a política pode funcionar como uma forma de estresse crônico. A psicologia tem identificado efeitos como perda de sono, pensamentos repetitivos, irritabilidade, desgaste nos relacionamentos e acompanhamento compulsivo das redes sociais. Estudos sobre eleições também observaram aumento da reatividade emocional nos dias próximos aos pleitos. A questão, portanto, não é simplesmente “se importar demais com política”, mas perceber quando a preocupação começa a ocupar um espaço desproporcional na vida.No Brasil, experiências de eleições anteriores mostram que esse desgaste não é apenas uma impressão passageira. Durante a disputa de 2022, profissionais de saúde mental relataram aumento de casos de ansiedade, medo, exaustão e conflitos interpessoais na reta final da campanha. Em alguns casos, a preocupação com o resultado ultrapassava o debate político e atingia relações familiares, amizades e ambientes de trabalho.

O cenário atual acrescenta outro componente. Entre outubro de 2024 e agosto de 2026, um levantamento da Terra de Direitos e Justiça Global registrou 354 episódios de violência política no país, média de uma ocorrência a cada 44 horas.O estudo não mede ansiedade da população, mas mostra que a tensão política não existe apenas no ambiente virtual. Há registros concretos de ameaças e agressões envolvendo agentes políticos, o que ajuda a compreender por que o período eleitoral pode ser acompanhado por sentimentos de apreensão.

Ao mesmo tempo, a política ocupa um espaço relevante na vida dos brasileiros. Pesquisa Datafolha divulgada em agosto mostrou que 74% dos eleitores declaravam ter algum interesse por política: 23% disseram ter grande interesse, 38%, médio, e 12%, pequeno. Portanto, o caminho não precisa ser a apatia ou o abandono completo das questões públicas. O desafio está em participar sem permitir que a disputa eleitoral determine o estado emocional de cada dia.

Quando a preocupação ultrapassa os limites

Para o cristão, essa discussão ganha uma dimensão adicional. A Bíblia não apresenta a ansiedade como um sentimento inexistente na vida de quem tem fé. Pelo contrário, as Escrituras registram personagens que atravessaram momentos de medo, insegurança, perseguição e incerteza. A diferença está na direção dada a esse sentimento.

Jesus, ao ensinar sobre as preocupações da vida, afirmou: “Não andeis ansiosos pela vossa vida” (Mateus 6:25). Poucos versículos depois, apresenta uma pergunta que continua atual: “Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?” (Mateus 6:27). A orientação não é ignorar a realidade, mas reconhecer os limites do controle humano.Paulo apresenta outro caminho em Filipenses 4:6-7: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições”. O texto não manda o cristão fingir que nada está acontecendo. Ele orienta a transformar a preocupação em oração, apresentando a Deus aquilo que não pode ser controlado.

Isso se torna especialmente importante durante uma eleição. O eleitor pode estudar propostas, verificar informações, avaliar candidatos, votar conscientemente e exercer sua cidadania. Mas não pode controlar o resultado, o comportamento dos adversários, as decisões de milhões de outros eleitores ou tudo aquilo que acontecer depois da apuração. Existe uma fronteira entre responsabilidade e tentativa de controlar o incontrolável.

É justamente nesse ponto que a fé pode funcionar como um freio à espiral de ansiedade. Salmo 46:10 lembra: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”. 1 Pedro 5:7 orienta: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós”. E Provérbios 3:5-6 chama o cristão a confiar no Senhor de todo o coração e não depender exclusivamente do próprio entendimento.

Isso não significa dizer que “Deus está no controle” como uma frase para encerrar qualquer conversa sobre problemas reais. Significa reconhecer que a soberania de Deus não depende do resultado de uma pesquisa, de uma discussão nas redes sociais ou de quem ocupará determinado cargo público. Para a fé cristã, o governo humano é temporal; Deus continua sendo Deus antes, durante e depois das eleições.

Cinco atitudes para atravessar a eleição com mais paz

1. Reduza a exposição compulsiva às notícias  
Informar-se é diferente de permanecer conectado o dia inteiro. Escolha horários específicos para acompanhar as notícias e evite transformar o celular em uma urna eletrônica permanente.

2. Não transforme cada pesquisa em uma sentença sobre o futuro  
Pesquisa eleitoral mede uma fotografia de determinado momento, dentro de uma metodologia específica. Ela não determina o que acontecerá depois. Consumir sucessivas pesquisas como se cada uma fosse uma previsão definitiva pode alimentar a ansiedade.

3. Não discuta política quando perceber que perdeu a capacidade de ouvir  
Romanos 12:18 orienta: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens.” Nem toda discussão precisa terminar em convencimento. Preservar uma relação pode ser mais importante do que vencer uma discussão em um grupo de mensagens.

Cinco atitudes para atravessar a eleição com mais paz

1. Reduza a exposição compulsiva às notícias  
Informar-se é diferente de permanecer conectado o dia inteiro. Escolha horários específicos para acompanhar as notícias e evite transformar o celular em uma urna eletrônica permanente.

2. Não transforme cada pesquisa em uma sentença sobre o futuro  
Pesquisa eleitoral mede uma fotografia de determinado momento, dentro de uma metodologia específica. Ela não determina o que acontecerá depois. Consumir sucessivas pesquisas como se cada uma fosse uma previsão definitiva pode alimentar a ansiedade.

3. Não discuta política quando perceber que perdeu a capacidade de ouvir  
Romanos 12:18 orienta: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens.” Nem toda discussão precisa terminar em convencimento. Preservar uma relação pode ser mais importante do que vencer uma discussão em um grupo de mensagens.

4. Transforme preocupação em oração  
Em vez de repetir mentalmente “e se acontecer isso?”, experimente transformar a pergunta em oração. Filipenses 4:6 apresenta justamente esse movimento: levar a Deus pedidos, súplicas e ações de graças.

5. Faça o que está ao seu alcance e entregue a Deus aquilo que não está  
O cristão é chamado a exercer cidadania responsável. Mas responsabilidade não significa carregar sozinho o futuro do país sobre os próprios ombros. Depois do voto, a vida continua, a família continua, a igreja continua, o trabalho continua e a missão cristã continua.

Cristiano Stefenoni

Fonte: Comunhão.