
Casagrande também relaciona o episódio à coragem, virtude presente nos ensinamentos bíblicos e importante para a conduta de quem exerce liderança pública. “Ao observar a decisão de Flávio Bolsonaro de deixar o país logo após o resultado das eleições, muitos cidadãos podem interpretar essa atitude como um sinal de fuga diante das dificuldades”, pondera.
Para o especialista, permanecer no país para esclarecer os fatos exige firmeza diante das adversidades. “A coragem, virtude tão valorizada pelas Escrituras, se revela na decisão de permanecer quando seria mais fácil partir”, conclui.
Já o bispo Robson Rodovalho, da Igreja Sara Nossa Terra, também defendeu a decisão de Flávio e recorreu a uma referência bíblica para justificar a necessidade de proteção diante de perseguições. Segundo declarações reproduzidas pela imprensa, Rodovalho afirmou que “até Jesus Cristo ensinou a se proteger debaixo de perseguiçõesO caminho até os Estados Unidos
A saída de Flávio ocorreu em meio a uma sequência de acontecimentos que começou na segunda-feira (26). Naquele dia, o senador visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e relatou ter sido intimado pela Polícia Federal (PF) a entregar os passaportes comum e diplomático, além de documentos de outras nacionalidades que eventualmente possuísse.
A ordem, determinada por Moraes, também o proibia de deixar o território nacional. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio afirmou que cumpriria a decisão e declarou: “Eu nunca pensei em sair do país”. Além disso, prometeu se defender judicialmente e organizar a oposição ao governo Lula.
No entanto, o prazo para a entrega dos documentos terminou na terça-feira sem que ele os apresentasse. Por isso, a PF cancelou os passaportes brasileiros do senador e comunicou o descumprimento da determinação judicA movimentação que levou Flávio aos Estados Unidos também foi marcada por informações desencontradas sobre seu paradeiro. Na terça-feira, enquanto notícias indicavam que ele já estaria no exterior, o senador ainda não havia cruzado a fronteira brasileira.
Segundo informações confirmadas posteriormente pelas autoridades argentinas, ele, a esposa e as duas filhas entraram na Argentina às 22h50, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na região de Foz do Iguaçu. Às 23h30, a família embarcou em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador. Depois da escala, a aeronave seguiu para Miami, onde pousou por volta das 10h25 desta quarta-feira (28).
A estratégia de saída também trouxe à tona declarações anteriores de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador. Em transmissão nas redes sociais, o ex-deputado havia defendido que Flávio deixasse o Brasil caso perdesse a eleição presidencial e passasse a liderar a oposição do exterior. A Polícia Federal considerou o risco de evasão ao pedir a apreensão dos passaportes.
Além disso, o senador é investigado em dois inquéritos no STF. Um apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas em operações relacionadas ao advogado Willer Tomaz e ao setor de apostas. O outro investiga a captação de recursos para o filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, incluindo suspeitas relacionadas a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco MFlávio nega irregularidades, e as suspeitas precisam ser examinadas no devido processo legal. Portanto, as investigações não equivalem a uma condenação, mas também não dispensam o cumprimento de decisões judiciais.
Fonte: Comunhão




