
Burocracia e falta de preparo são obstáculos
Apesar da contribuição que a assistência religiosa pode oferecer, o trabalho enfrenta dificuldades. Entre elas, Fior cita a demora no credenciamento de voluntários, a limitação dos horários de atendimento, a suspensão de atividades por questões de segurança e a falta de espaços adequados para os encontros.
A superlotação, a influência de facções criminosas e a desconfiança no ambiente prisional também impõem desafios. Além disso, o advogado alerta para a necessidade de preparar os voluntários para atuar de acordo com as regras de cada unidade e compreender as particularidades da população carcerária.
Outro problema é a competição entre denominações religiosas por influência sobre os presos. Para Fior, esse comportamento compromete o propósito da assistência e enfraquece o testemunho cristão.
Como alternativas, ele defende regras claras para o credenciamento, formação dos voluntários em segurança, legislação penal e técnicas de escuta, além de maior cooperação entre as instituições reliO advogado cita a Pastoral Carcerária, da Igreja Católica; o Ministério Carcerário da Igreja Adventista do Sétimo Dia; os ministérios prisionais de diferentes denominações evangélicas; e as Associações de Proteção e Assistência aos Condenados (APACs), que adotam um método de recuperação baseado, entre outros aspectos, na disciplina, no trabalho, no estudo e na convivência familiar.
“Quando essas frentes cooperam em vez de competir, quem ganha é o preso”, avalia. Fior também sustenta que a assistência religiosa seja regulamentada e avaliada, de modo que seus resultados possam ser acompanhados e considerados na formulação de políticas públicas.
Preparação para a liberdade começa na prisão
Para o advogado, a reintegração social não deve ser planejada apenas quando a pessoa está prestes a deixar a unidade prisional. A preparação precisa começar no início do cumprimento da pena, com iniciativas que favoreçam a educação, a qualificação profissional e a preservação dos vínculos familiares. “A preparação para a saída começa no primeiro dia de pena, não na véspera do alvará”, enfaFior também alerta para o risco de expor publicamente os egressos como exemplos de superação sem considerar sua privacidade. A recuperação pode envolver dificuldades, e a pessoa precisa saber que continuará tendo espaço na comunidade mesmo diante de contratempos.
Ao relacionar esse compromisso aos ensinamentos bíblicos, o advogado recorda as palavras de Jesus em Mateus 25.36: “Estive preso, e fostes me visitar”. Para ele, a assistência aos encarcerados e aos que deixam o sistema prisional representa tanto uma expressão prática do Evangelho quanto uma contribuição para a segurança coletiva. “Recuperar uma vida não é bondade ingênua. É obediência ao Evangelho e, ao mesmo tempo, a forma mais inteligente de proteger a sociedade”, conclui Eder Ricardo FiAcolhimento após a saída
O apoio da igreja também pode ser decisivo nos primeiros meses após a liberdade. De acordo com Fior, muitos egressos enfrentam dificuldades para obter documentos, conseguir transporte, encontrar moradia e acessar o mercado de trabalho. Sem uma rede de apoio, a reconstrução da vida pode se tornar ainda mais difícil.
“A igreja pode fazer enorme diferença”, salienta o advogado, ao argumentar que as congregações desenvolvam formas práticas de acolhimento, como auxílio com alimentação, roupas para entrevistas de emprego, transporte e encaminhamento para oportunidades profissionais.
Esse suporte, ressalta, deve incluir a família e ser oferecido sem estigmatização. Em vez de identificar alguém permanentemente pelo passado criminal, a comunidade cristã precisa reconhecer sua dignidade e acompanhar o processo de reconstrução com responsabilidade e paciência.
Fonte: Comunhão




