Notícia

Notícia

Notícias06/10/2026· via Local

Segundo turno: Flávio larga como favorito; Lula depende de quem não votou

Flávio Bolsonaro e Lula disputam segundo turno presidencial com vantagem para o senador.. Foto: Gerada por IA | Adriano Hany O segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula começa com vantagem matemática para o senador. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com 56.104.503 votos (47,03% dos válidos), e o presidente Lula (PT) teve 53.879.538 (45,16%). A diferença é de 2.224.965 votos, ou 1,87 ponto percentual. A votação final é em 25 de outubro. Os outros dez candidatos somaram 9.316.747 votos, 7,81% dos válidos. A reportagem simulou para onde esses votos tendem a migrar, com base no perfil político de cada candidato, no discurso de campanha e nos apoios anunciados. Em todos os cenários testados, Flávio amplia a vantagem. A eleição, porém, não se decide só com o eleitor dos derrotados. Para onde vão os votos dos derrotados Augusto Cury (Avante), 3.448.569 votos (2,89%). O escritor ficou em terceiro, com campanha contra a polarização. Em setembro, disse que não apoiaria Lula em nenhuma hipótese. Também condicionou um eventual apoio a Flávio: o senador teria de explicar o uso de recursos de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, no filme “Dark Horse” e assinar em cartório o compromisso de executar o plano de governo de Cury. “Ele tem que provar que não tem corrupção”, afirmou. No dia seguinte, declarou: “Não há condição de apoiar nenhum dos dois. Olha o histórico”. Depois do primeiro turno, não anunciou apoio. A simulação estima 40% dos eleitores dele para Flávio, 30% para Lula e 30% em branco, nulo ou abstenção. Renan Santos (Missão), 2.675.887 votos (2,24%). Disputou o eleitor conservador como alternativa a Flávio e recusou apoio ao senador. “Não consigo me misturar com essa gente”, disse em setembro. Depois do primeiro turno, afirmou que “não há direita no Brasil sem Bolsonaro”. Estimativa: 55% para Flávio, 10% para Lula e 35% de brancos, nulos e abstenções. Ronaldo Caiado (PSD), 2.605.148 votos (2,18%). O ex-governador de Goiás anunciou apoio a Flávio nesta terça-feira (6). O PSD, porém, ficou neutro e liberou os filiados. Estimativa: 70% para Flávio, 10% para Lula e 20% de brancos, nulos e abstenções. Romeu Zema (Novo), 326.488 votos (0,27%). Declarou apoio a Flávio. Estimativa: 75% para o senador e 5% para Lula. Menores partidos. Os candidatos de esquerda (UP, PSTU, PCB e PCO) somaram 203.731 votos, com estimativa de cerca de 75% para Lula. DC e Democrata, de perfil conservador, tiveram 56.924 votos, com estimativa de 60% para Flávio. O resultado da simulação No cenário central, Flávio receberia cerca de 4,9 milhões de votos dos derrotados, e Lula, cerca de 1,7 milhão. Outros 2,6 milhões iriam para branco, nulo ou abstenção. O placar ficaria em 52,3% a 47,7% dos válidos para Flávio, com 5,4 milhões de votos de vantagem. No cenário mais favorável a Lula, Flávio venceria por 51,4% a 48,6%. No mais favorável ao senador, o placar chegaria a 53% a 47%. O que Flávio precisa para manter a liderança A vantagem do favorito é real, mas estreita para margem de erro de campanha. Pela simulação, há cinco frentes que decidem se ela se sustenta. 1. Não perder o próprio eleitor. Esse é o maior risco de Flávio. Cada 1% dos eleitores dele no primeiro turno que migrar para Lula representa cerca de 561 mil votos. Como o voto sai de um lado e entra no outro, o efeito sobre a diferença dobra, para 1,1 milhão. Uma perda de 2% já anularia toda a vantagem do primeiro turno. Uma perda de 5% eliminaria a margem do cenário central. 2. Levar o eleitor às urnas. A abstenção vale para os dois lados. Se a campanha de Lula mobilizar quem ficou em casa e o eleitor de Flávio relaxar por se sentir vitorioso, a diferença encolhe. Manter o comparecimento da própria base pesa tanto quanto conquistar novos votos. 3. Conquistar o eleitor de Cury. É o maior bloco em disputa, e Flávio não tem o apoio do candidato. Cury fez campanha contra os dois finalistas e colocou o caso “Dark Horse” como condição para qualquer aproximação. O eleitor dele, de centro, pode ir para Flávio, para Lula ou para o voto nulo. Se Lula vencer nesse grupo, a vantagem do senador diminui. Ainda assim, mesmo no cenário em que Lula fica com 40% desses eleitores, Flávio segue à frente. 4. Evitar a rejeição do eleitor de Renan. O eleitorado do Missão é antipetista, mas parte dele também rejeita o bolsonarismo. Para Flávio, o risco não é perder esses votos para Lula, e sim vê-los virar nulo ou abstenção. 5. Transformar apoios em votos. Flávio reúne Caiado, Zema, a federação PP-União Brasil e os governadores reeleitos de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de Goiás, Daniel Vilela (MDB), que estiveram no anúncio em Goiânia. Ele também negocia o apoio formal do Republicanos. O PSD ficou neutro, o que deixa espaço para acordos com os diretórios estaduais. O senador também diz que o Congresso eleito no domingo é “muito mais à direita”, com maioria para eleger os presidentes da Câmara e do Senado, e usa isso como argumento de governabilidade. O caminho de Lula A virada de Lula depende de quem não escolheu ninguém no primeiro turno. Foram 33,5 milhões de abstenções (21,1% do eleitorado), além de cerca de 5,6 milhões de votos brancos e nulos. Pelo cenário central, Lula precisaria levar às urnas de 4 a 5 milhões de eleitores a mais que Flávio para inverter o resultado. Também precisaria ganhar com folga entre os eleitores de Cury. A campanha do presidente já reuniu aliados para reforçar a presença nas ruas e nas rádios. Os limites da vantagem O histórico recomenda cautela. Em 2022, Lula terminou o primeiro turno com 48,43%, contra 43,20% de Jair Bolsonaro. No segundo turno, a diferença caiu de mais de cinco pontos para menos de dois: Lula venceu com 50,90%, contra 49,10%. As pesquisas também erraram. Na véspera do primeiro turno deste ano, só um dos seis institutos que divulgaram levantamentos, o Gerp, mostrava Flávio numericamente à frente. A maioria subestimou o senador em 2 a 5 pontos. Análise final Pela aritmética do primeiro turno, Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno como favorito. O voto dos candidatos derrotados está concentrado no centro e na direita, e Caiado e Zema já declararam apoio. A vantagem, porém, depende menos dos novos apoios e mais da capacidade de Flávio de manter e mobilizar os 56 milhões de eleitores que já votaram nele. Lula só vira se ampliar o comparecimento a seu favor e vencer no eleitorado de Cury. Até 25 de outubro, a disputa tende a se decidir pela fidelidade e pela mobilização das duas bases, mais do que pela troca de apoios. Nota metodológica: as taxas de migração usadas nesta análise são estimativas da reportagem, feitas a partir do perfil político, do discurso e dos apoios de cada candidato. Não são resultado de pesquisa eleitoral. Os votos do primeiro turno são do TSE. O post Segundo turno: Flávio larga como favorito; Lula depende de quem não votou apareceu primeiro em RCN67 .

Fonte: Local — Ler matéria original