
Estudo revela que 40% dos pastores se sentem solitários. - Foto: Divulgação
Por trás da rotina de cuidado com a comunidade, existe uma realidade pouco percebida, a solidão de quem dedica os dias a ouvir e aconselhar outras pessoas, mas nem sempre encontra espaço para falar sobre as próprias dificuldades. Segundo uma pesquisa do Barna Group, dois em cada cinco pastores (40%) se sentem solitários. Esse dado é um dos pontos de partida de Pastores pela Vida: Cuidando de quem cuida, livro sobre autocuidado e saúde emocional de lideranças cristãs organizado pelos teólogos Valdir Steuernagel e Daniel GuanaesConfira quatro orientações apresentadas no livro para ajudar líderes religiosos a fortalecer a saúde emocional e manter uma rotina ministerial mais equilibrada.
1. Tenha amizades nas quais você não precise assumir o papel de líder
Pastores passam grande parte do tempo ouvindo, orientando e oferecendo apoio aos fiéis. Por isso, cultivar amizades verdadeiras fora do ambiente ministerial é importante para compartilhar dificuldades e vulnerabilidades sem a obrigação de sempre oferecer respostas. Ter pessoas de confiança com quem conversar pode ajudar a reduzir o sentimento de isolamento.
2. Reconheça que buscar ajuda não é fraqueza
A obra chama atenção para a chamada “síndrome de Messias”, associada à ideia de que o líder precisa solucionar todos os problemas por conta própria. Procurar acompanhamento psicológico, aconselhamento ou apoio de outros pastores não significa falta de fé. Pelo contrário, reconhecer a necessidade de ajuda é uma atitude de humildade e sabedoria que pode contribuir para uma liderança mais saudável e duradoura.
3. Divida as responsabilidades
A condução de um ministério não deve depender exclusivamente de uma única pessoa. Delegar tarefas e preparar novas lideranças ajuda a diminuir a sobrecarga e abre espaço para que o pastor também se dedique à família, à saúde e à vida eEmbora o levantamento do Barna Group retrate a realidade religiosa dos Estados Unidos, seus resultados permitem estabelecer um paralelo com o contexto pastoral brasileiro, onde ainda não há um mapeamento oficial dessa situação entre líderes evangélicos. “Pastores estão sempre cercados de pessoas: pregam em cultos cheios, aconselham casais em crise e orientam uma congregação inteira. Por mais paradoxal que pareça, uma das suas principais queixas é a solidão. Falo como pastor e como psicólogo”, afirma Guanaes.
Publicado pela Editora Mundo Cristão, em parceria com a Visão Mundial Brasil, o livro reúne contribuições de 11 coautores e questiona a ideia de que o líder religioso precisa assumir sozinho todas as responsabilidades do ministério. Diante de desafios como depressão, ansiedade e burnout, a obra destaca a importância do autocuidado para quem se dedica a cuidar do próxim4. Dedique a si mesmo o cuidado que oferece aos outros
Ao acolher as dificuldades dos fiéis, muitos líderes acabam deixando as próprias necessidades em segundo plano. Por isso, reservar momentos para descansar, aproveitar o lazer, orar, praticar exercícios físicos e estar com a família também é necessário. Cuidar de si não é egoísmo, mas parte do processo de manter condições para continuar servindo à comunidade de maneira saudável e sustentável.
Fonte: Comunhão




