
A procura não ficou restrita à disputa presidencial. Segundo os dados repassados pelo Google ao Valor, as buscas por “pesquisa para presidente” aumentaram 70%, mesmo percentual registrado para “pesquisa para governador”. Já as consultas relacionadas ao Senado cresceram 90%, enquanto as buscas por pesquisas para deputado tiveram alta de 140% na última semana.O comportamento mostra que as pesquisas eleitorais passaram a ocupar espaço relevante na busca por informações sobre a eleição. Durante a campanha, a Presidência foi o cargo mais associado às consultas sobre pesquisas, embora tenham ocorrido exceções. Em 4 de setembro, por exemplo, as buscas por governador lideraram; no dia 12, o maior interesse foi por senador.
O dado, porém, precisa ser interpretado com cuidado. Pesquisar sobre uma eleição não significa necessariamente declarar preferência por um candidato. O Google Trends trabalha com interesse relativo de busca e não pergunta ao usuário em quem ele pretende votar. Uma pessoa pode procurar uma pesquisa por curiosidade, para acompanhar o cenário, conferir uma informação vista nas redes sociais ou comparar diferentes levantamentos.
Essa distinção ganha importância porque a disputa presidencial apresentou mudanças sucessivas ao longo de setembro. No levantamento Datafolha realizado em 22 e 23 de setembro, Lula apareceu com 40% no primeiro turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro. Na simulação de segundo turno, os dois registraram 47% e 45%, respectivamente, resultado considerado empate técnico pela margem de erro de dois pontos.
A mesma pesquisa mostrou que 80% dos eleitores que já têm uma opção de voto afirmam estar totalmente decididos, enquanto 18% dos entrevistados permaneciam indecisos na pergunta espontânea. O levantamento ouviu 2.002 pessoas presencialmente, em 125 municípios, entre 22 e 23 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança deO crescimento das buscas também ocorre em um ambiente de grande oferta de levantamentos. Segundo levantamento do Projeto Comprova, até 24 de setembro haviam sido registradas 2.928 pesquisas eleitorais no TSE em 2026, considerando disputas de todo o país, com custo total informado de aproximadamente R$ 171 milhões. O volume ajuda a explicar por que números de pesquisas passaram a ocupar tanto espaço no debate eleitoral.
Para o eleitor, a recomendação é separar três coisas que frequentemente aparecem misturadas nas redes sociais: pesquisa de intenção de voto, interesse de busca e resultado eleitoral. Uma pesquisa eleitoral mede a opinião de uma amostra em determinado período; o Google Trends registra o comportamento das buscas; e somente a votação revela efetivamente a escolha feita nas urnas.
Na reta final da campanha, portanto, o crescimento de 70% nas buscas revela principalmente que os brasileiros estão procurando mais informações sobre as pesquisas eleitorais. O número ajuda a dimensionar a atenção despertada pela disputa, mas não permite concluir, isoladamente, que tenha aumentado a preferência por qualquer candidato. É uma fotografia do interesse na internet, não uma urna virtComo interpretar uma pesquisa eleitoral
Veja a data da coleta: os números representam o momento em que as entrevistas foram realizadas.
Confira a margem de erro: diferenças pequenas podem estar dentro do intervalo estatístico.
Observe o tamanho da amostra: pesquisas nacionais e estaduais possuem universos diferentes.
Confira o registro no TSE: levantamentos eleitorais devem seguir as regras da Justiça Eleitoral.
Compare pesquisas feitas em períodos próximos: um levantamento isolado não mostra toda a evolução do cenário.
Não confunda busca no Google com intenção de voto: interesse na internet não equivale a preferência eleitoral.
Fonte: Comunhão




