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Notícias/NEWS05/11/2026· Local

Como Martinho Lutero ensinou a justificação pela fé

Lutero transforma a compreensão da justificação pela fé. - Foto: Divulgação/Christian Post

Martinho Lutero já era doutor da igreja e ministrava aulas de teologia e estudos bíblicos na Universidade de Wittenberg. Ele havia acabado de concluir uma série de palestras sobre o livro dos Salmos e se preparava para iniciar um estudo sobre a carta de Paulo aos Romanos. Durante essa preparação, debruçou-se sobre o versículo em que Paulo, ao introduzir o tema da justificação, afirma: “Porque nele se revela a justiça de Deus pela fé e para fé, como está escrito: O justo viverá pela fé” (Romanos 1:17).

Lutero assumiu, naturalmente, que a expressão “justiça de Deus” se referia à justiça intrínseca e própria de Deus. Essa era, para ele, a maior fonte de temor, pois sabia que não era justo, enquanto Deus o era. Para Lutero, não havia boas notícias em um evangelho que revela a justiça de Deus para pessoas que não são justas.

A luz de Agostinho e a transformação de Lutero

Durante seus estudos, Lutero leu obras de Agostinho de Hipona, patrono de sua ordem religiosa. Sobre o uso da expressão “justiça de Deus” por Paulo, Agostinho escreveu: “Ele não diz a justiça do homem, nem a justiça de sua própria vontade, mas a ‘justiça de Deus’ — não aquela pela qual Ele mesmo é justo, mas aquela com que Ele justifica o ímpio.”Ao compreender essa explicação, Lutero relatou que uma luz invadiu sua alma: “Senti-me renascer e atravessar portas abertas rumo ao paraíso.” Ele experimentou uma profunda libertação existencial, quando o peso da culpa não resolvida caiu de seus ombros. Percebeu que a única forma de se apresentar diante de um Deus justo e santo era revestido da justiça de Cristo, uma justiça que não poderia ser conquistada, merecida ou tomada, mas somente recebida com humildade.

A coragem de Lutero contra o mundo e a fidelidade à fé

Ao analisar a Reforma, percebe-se que Martinho Lutero se posicionou contra o mundo inteiro — contra mundum. É preciso ser extremamente insubordinado, arrogante ou até mesmo louco para desafiar todas as autoridades da época e manter-se firme em sua convicção.Certamente, Lutero tinha um temperamento obstinado, mas nem mesmo o mais teimoso dos homens resistiria às críticas implacáveis que recebeu. Por que ele não recuou? Porque lutou demasiado para encontrar a paz com Deus e não estava disposto a abrir mão disso por nada terreno. Foi naquele momento em seu estudo que a convicção da justificação somente pela fé despertou. Ao avançar na leitura da carta aos Romanos, a clareza do ensino de Paulo fortaleceu sua decisão, impedindo qualquer negociação.

A honestidade diante da justiça de Deus

Não creio que Martinho Lutero estivesse louco. Creio que ele foi talvez o cristão mais honesto depois do primeiro século. Ele compreendeu profundamente o caráter, a justiça e a retidão de Deus e quanto mais entendemos a justiça divina, menos podemos nos enganar sobre a nossa própria falta de justiça.Temos a tendência de nos avaliar por nossos próprios padrões, esperando que Deus nos julgue de forma flexível. Procuramos consolo ao encontrar pessoas piores que nós, e assim desviamos o foco do padrão pelo qual seremos julgados.

Mas Lutero entendeu que o padrão de Deus não é uma escala móvel; é a sua própria justiça perfeita. Nesse momento, ele percebeu que a única justiça capaz de salvá-lo não poderia vir dele mesmo, mas sim de Deus. Foi assim que germinaram as sementes da Reforma.

Lutero e a luta constante contra a culpa e o desânimo

Em minha vida, já enfrentei momentos de melancolia, especialmente na juventude, quando ainda era estudante e aspirante a teólogo. Nessas horas, buscava inspiração em Lutero não por buscar insights teológicos únicos, mas porque me identificava com sua humanidade. Ele era um homem terreno, que enfrentava batalhas constantes contra o desânimo e o inimigo, a quem chamava de Satanás.

Lutero descrevia a Anfechtung (termo alemão que significa um ataque intenso e desafiador, como uma provação espiritual) como um assalto impiedoso contra sua alegria, paz e conforto. Nesses momentos, corria para o Evangelho e repousava nele para renovar sua compreensão da paz com Deus que tem em Cristo.Ele representava a luta de todo cristão para encontrar paz com Deus e, em sua vitória, vemos um caminho de esperança que só é possível em Cristo.

(Com informações de R. C. Sproul – Christianpost)