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Notícias/Musica08/10/2026· Local

Dia do compositor

Data celebra a importância da criação musical espiritual. - Foto: Freepik/Mirella Dias

Compor para a igreja vai muito além de criar rimas e desenvolver harmonias. No contexto cristão, o compositor exerce um papel ministerial importante ao transformar a Bíblia, a fé e os sentimentos da comunidade em canções capazes de guardar a teologia no coração dos fiéis. Neste 7 de outubro, Dia do Compositor, a data convida à reflexão sobre a essência desse dom, a preservação da memória da música evangélica e os limites da tecnologia no processo de criação de músicas de worshipEssa ligação com a fonte divina também aparece como ponto em comum entre diferentes autores apresentados no livro. Na apresentação do projeto, o compositor Atilano Muradas destaca que conhecer a trajetória de nomes como Jorge Camargo, Bené Gomes, Paulo Cézar e Lenilton reforça a ideia de que compor é uma experiência vivida por aqueles que captam “lampejos de beleza em forma de canções”. A história e a dedicação presentes em clássicos como Seja Engrandecido e Teus Altares contribuem para preservar a memória coletiva da igreja.

Inteligência Artificial: ferramenta de apoio, não de criação

Se anteriormente os principais desafios da composição estavam relacionados ao registro e à divulgação das obras, o avanço da Inteligência Artificial trouxe um novo debate para a produção musical. Com ferramentas capazes de criar arranjos, melodias e até letras em poucos segundos, surge a discussão sobre o limite entre o suporte técnico e a substituição do processo Criativo essência espiritual da composição

Em depoimento publicado na obra “A Composição Musical Evangélica” o veterano Asaph Borba, com quase cinco décadas dedicadas à música cristã e mais de 800 composições, ressalta que compor para Deus exige uma sensibilidade que vai além da técnica. “Compor para mim nunca foi difícil, pois acredito ter recebido esse dom de Deus, que me capacitou não apenas a escrever canções, mas sim, me deu ouvidos para ouvir o céu cantar.” conta o compositor.

Antes mesmo da estrutura musical, uma canção de louvor nasce de uma experiência espiritual. “A música cristã tem essa característica principal: ela nasce no céu com identidade espiritual definida, e se não for assim, não será uma música cristã”, constata AsaPara o cantor e compositor G. Hoffman, a tecnologia pode ter uma função prática quando utilizada com critério, especialmente como auxílio em etapas operacionais, ele ressalta não utilizar a IA para substituir o processo criativo. “O que Deus me deu de presente foi compor. Eu amo compor”, afirma o músico. Segundo ele, a ferramenta pode ser útil no desenvolvimento de pré-produções ou na experimentação de ideias de arranjos no estúdio.

Por outro lado, Hoffman chama atenção para os riscos da dependência tecnológica, principalmente entre aqueles que estão começando na música. “Como tudo na vida, sem controle, de maneira muito livre, leve e solta, acho que pode ser, sim, prejudicial, inclusive com vistas a deixar de desenvolver a Criatividade sensibilidade que a tecnologia não substitui

Neste Dia do Compositor, a música cristã celebra os avanços nos recursos de produção sem deixar de lado sua vocação principal. Softwares e algoritmos podem facilitar arranjos e tornar os processos mais rápidos, mas transformar dor, arrependimento, gratidão e esperança em um cântico congregacional ainda depende da sensibilidade humana e da inspiração do Espírito Santo.

Preservar a história dos hinos que marcaram gerações e manter o cuidado com a criação musical no presente contribui para que a música evangélica continue exercendo sua principal função: edificar vidas e conduzir a igreja à adoração a Deus em espírito e em verdade.

Fonte: Comunhão