
A autora também chama a atenção para os julgamentos que recaem sobre as famílias. Segundo ela, as pessoas frequentemente avaliam o comportamento da criança sem conhecer os esforços, as tentativas e as dificuldades enfrentadas pela mãe nos bastidores.
O desgaste pode alcançar ainda a vida espiritual. Para Ilana, a exaustão nem sempre significa perda de fé, mas pode tornar mais difícil encontrar tempo e disposição para a oração e outras práticas religiosas. “Ela não precisa esconder o cansaço para ter fé. Ela pode chegar diante de Deus exatamente como está: cansada, insegura, cheia de dúvidas e até sem saber o que pedir”, afirmFé para atravessar os desafios
Na proposta do livro, a espiritualidade não aparece como uma promessa de que as dificuldades desaparecerão, mas como fonte de sustentação para enfrentá-las. Ilana acredita que a fé cristã ajuda a lidar com a incerteza e a compreender que amar e cuidar dos filhos não significa ter controle sobre todas as circunstâncias.
“A fé não elimina as dificuldades, mas muda a maneira como atravessamos essas dificuldades. Para mim, a fé cristã traz a lembrança de que eu não preciso carregar tudo sozinha”, destaA autora também diferencia responsabilidade e culpa. Enquanto a maternidade envolve buscar ajuda, oferecer cuidado e fazer o melhor possível, ela ressalta que nem tudo pode ser previsto ou controlado. Essa compreensão, segundo Ilana, pode ajudar as mães a enfrentarem a jornada com mais equilíbrio e menos cobranças.
Quem cuida também precisa de cuidado
Outro ponto central do devocional é a necessidade de olhar para a mulher para além das demandas relacionadas ao filho. Na visão de Ilana, o cuidado com a criança não deve apagar as necessidades emocionais, os limites e os sonhos de quem a acompanha diariamente.
“A mãe também tem necessidades, limites, sonhos, medos e cansaço. Ela pode amar profundamente o filho e, ao mesmo tempo, estar exausta. Uma coisa não anula a outra”, enfatiza.
Para a escritora, reconhecer essa realidade não significa diminuir a atenção dedicada à criança. Pelo contrário: oferecer acolhimento, descanso e apoio à mãe também contribui para fortalecer quem participa ativamente do desenvolvimento do filho e da defesa de seus diA proposta, portanto, é questionar a ideia de que uma boa mãe precisa se anular para demonstrar amor. Cuidar de si, argumenta Ilana, faz parte de uma maternidade que reconhece tanto as necessidades da criança quanto a humanidade de quem cuida dela.
Um dia de cada vez
Ao pensar na mensagem que deseja deixar às leitoras, Ilana destaca a importância de substituir a busca pela perfeição por uma postura de acolhimento e aprendizado contínuo. Para ela, cada dia traz a oportunidade de compreender melhor os filhos, reconhecer os próprios limites e encontrar novas maneiras de seguir em frente.
“Quero que ela consiga olhar para a própria caminhada com mais misericórdia, reconhecendo tudo aquilo que já fez e entendendo que cada dia é uma nova oportunidade de aprender”, afirma.
A autora espera que as mulheres concluam a leitura conscientes de que suas necessidades também merecem atenção e de que não precisam encontrar todas as respostas imediatamente. “Você não precisa ter todas as respostas hoje. Continue caminhando, busque ajuda, cuide de você e confie que Deus também está presente no processo”, finaliza .
Fonte: Comunhão




