Notícia

NEWS

Notícias/NEWS06/11/2026· Local

Escola Bíblica em crise

Daniel Dias, na época superintendente da Escola Bíblica Dominical da Assembleia de Deus em Barcelona, na Serra (ES), avalia que a EBD deixou de ser tratada com a devida importância e que é essa visão que precisa mudar. “Jesus deixou-nos a missão não apenas de ganhar almas, mas também de ensiná-las a guardar Seus mandamentos (Mateus 28.19-20). O que tem ocorrido é que o ensino bíblico de modo geral deixou de ser prioridade em muitas igrejas, e a Escola Bíblica é diretamente afetada por isso. Para ficar em um único exemplo, basta olharmos para o ‘marketing’ que é feito para os cultos de domingo ou campanhas. O anúncio da Escola Bíblica, quando existe, é feito ao final do culto junto com outros tantos avisos. […] Acredito que a melhor tática seja investir na qualidade do ensino”, destacou.

Didática faz diferença

Daniel acredita que criatividade e ensino podem caminhar juntos na educação religiosa. “O uso de pensamentos e ideias através de analogias e metáforas, o incentivo aos alunos para usar a imaginação com hipóteses, a utilização de recursos como vídeos, músicas, livros, jornais, apresentações em Power Point e outros objetos, com intuito de reforçar o que está sendo ensinado. […] Enfim, é possível e necessário usar a criatividade para ganhar e manter o interesse dos alunos pelo aprendizado da Palavra de Deus”, falInvestimentos na qualidade do ensino bíblico geram professores capacitados e inspirados e alunos motivados. E é algo que tem continuidade, uma vez que no futuro esses alunos se tornam os professores da geração seguinte. Foi o que aconteceu com Daniel, que foi aluno, professor e, na época, superintendente de EB. Sobre a qualidade dos professores, ele diz que a maioria possui um grande conhecimento bíblico, mas falta a didática do ensino, e isso tem um peso muito grande tanto na educação como no interesse pela Escola Bíblica. “A qualidade no ensino, com isso, acaba sendo prejudicada. É comum vermos professores que são excelentes pregadores usarem a sala de aula como um púlpito. Não deixa de ser uma forma de transmitir a verdade, porém fica muito aquém dos ganhos proporcionados por uma verdadeira aula”, refletiu.

A formação de novos professores

Para Penha Azevedo, nada substitui a figura e o papel do professor. “Ele é fundamental para fazer do estudo da Bíblia um momento prazeroso e criativo. Vale a pena ressaltar que o conhecimento do conteúdo e o testemunho de vida são fatores primordiais para a autoridade daquele que ensina. Quem comissiona e capacita é Cristo. Os professores, de ontem ou de hoje, precisam antes de tudo buscar uma experiência genuína com Ele”, Apontados Oliveira vê como fundamental o investimento na formação dessa liderança. “É preciso usar tempo preparando professores para essa tarefa de ensino bíblico. Não estou falando de cursos de Teologia ou de Educação Religiosa, e sim de Formação de Líderes para ensinar a Bíblia. Grande parte do desencanto dos alunos da EBD está na forma como muitos professores ensinam. Não é possível ter um professor que repete o texto de uma revista; para isso não precisa de professor. Faz-se necessário o uso de recursos mais eficientes, de estratégias atraentes, de uma forma mais interativa entre o líder e o liderado”, enfatizou.

O futuro da Escola Bíblica

A Escola Bíblica vai continuar existindo, com este ou com outro nome, pois sem estudo bíblico não existe Igreja. Essa é a previsão de Sócrates Oliveira para o futuro das EBs no país. “Creio que talvez o sistema de grupo de estudo por faixa etária deva ser reestruturado por um sistema de grupos de interesse, sem perder a dinâmica de estudar toda a Bíblia durante um determinado período. O grande desafio é aplicar todos os meios atuais de comunicação e as dinâmicas para levar todos a estudarem a Bíblia”, disse.

Já César Moisés acredita que o futuro da EB depende de como é praticado o programa de Educação Cristã da igreja local. “Ela valoriza o ensino? Valorizar significa investir. Se isso for uma realidade, a Escola Dominical enfrentará somente aqueles desafios gerais que todo o mundo enfrenta: mudanças rápidas em um tempo em que as coisas já saem com o prazo de validade vencido. Do contrário, ela ficará respondendo a perguntas que as pessoas já não mais fazem, correndo o risco de tornar-se uma forte candidata à extinção. Tudo depende de quem faz e é a EBD: líderes, gestores, professores e alunos”, analInstrumento da igreja para o desenvolvimento do cristão, ferramenta capaz de integrar departamentos, com ensino de valores morais e éticos à luz da Bíblia, esclarecimento de dúvidas que abalam a fé e combate a hábitos que afastam o cristão do caminho: esses são apenas alguns exemplos de como a Escola Bíblica contribui para a formação do caráter cristão. Para os especialistas, independentemente da denominação, fica a opinião de que a Escola Bíblica é o ambiente propício para que toda a família estude a Palavra de Deus e cresça no Seu Reino.

Nota da Redação

Esta matéria foi publicada originalmente em março de 2013 e atualizada em 5 de novembro de 2026. O que mudou desde então:

Os cargos e as igrejas dos entrevistados são os da época da reportagem; não foi possível confirmar a função atual de cada um. Sócrates Oliveira de Souza ocupava a direção-executiva da Convenção Batista Brasileira, e César Moisés chefiava a Educação Cristã da CPAD.

O número de evangélicos no Brasil cresceu desde a reportagem: eram 47,4 milhões de pessoas em 2022, 26,9% da população com 10 anos ou mais, contra 21,6% em 2010, segundo o Censo 2022 do IBGE.

A preocupação com o conhecimento bíblico segue atual: em teste do Lifeway Research com 2.012 cristãos dos Estados Unidos, divulgado em novembro de 2026, 65% tiraram nota abaixo de 60, e a leitura diária foi o hábito que mais elevou o resultado. Leia a reportagem da Comunhão.

Texto: Gustavo Costa, adaptado pela redação da Comunhão.

É uma republicação do acervo Comunhão.

Fonte: Comunhão