
*PONTA PORÃ: A CIDADE ONDE O BRASIL TERMINA SEM PORTÃO*
Ponta Porã não é uma cidade de fronteira comum. Ela é a fronteira.
No sudoeste de Mato Grosso do Sul, a 324 km de Campo Grande, Ponta Porã tem 99.572 habitantes e um detalhe que nenhuma outra cidade do estado tem: ela é grudada, rua por rua, com Pedro Juan Caballero, no Paraguai.
Não tem rio. Não tem muro. Não tem ponte. É *fronteira seca*. Você atravessa a rua e já está em outro país. Uma calçada é Brasil, a outra é Paraguai. Por isso, juntas, as duas cidades somam quase 200 mil pessoas vivendo como se fossem uma só.
*De capital a celeiro*
Ponta Porã foi fundada em 1912 e já foi até capital. Entre 1943 e 1946, foi a capital do Território Federal de Ponta Porã, criado por Getúlio Vargas durante a Segunda Guerra.
Hoje é a 5ª maior cidade de Mato Grosso do Sul, com o 4º maior PIB do estado: R$ 6 bilhões, R$ 65.963 por habitante.
O que sustenta isso?
- *Soja, milho e trigo* - o agro é o motor
- *Pecuária* - boi de corte e de leite
- *Comércio de fronteira* - o maior empregador do lado brasileiro
- *Turismo de compras* - que atrai gente de todo o Centro-Oeste
*A fronteira que vive de comprar e vender*
Do lado paraguaio, Pedro Juan Caballero virou um shopping a céu aberto. São 642 lojas de comércio popular mapeadas só na linha da fronteira - 40% vendendo roupa. Eletrônicos, perfumes, bebidas, pneus, tudo mais barato por causa do câmbio e dos impostos paraguaios.
Do lado brasileiro, Ponta Porã vive do movimento inverso: brasileiros que moram lá, paraguaios que trabalham aqui, estudantes brasileiros que atravessam todo dia para fazer medicina nas faculdades de Pedro Juan.
É o que os moradores chamam de "nasci num país chamado Fronteira". Tem guarani no vocabulário, tereré gelado no calor, chipa no café da manhã e pagode misturado com polca paraguaia.
*O futuro é a Rota Bioceânica*
Ponta Porã está no centro do maior projeto da América do Sul hoje: o *Corredor Rodoviário Bioceânico*, que vai ligar o Porto de Santos (Atlântico) ao Porto de Antofagasta, no Chile (Pacífico), passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
Na prática, a rota Campo Grande - Antofagasta cai de 4.516 km para 2.396 km. Um contêiner para Xangai pode ficar 20% mais barato.
E tem mais: está em projeto o *Aeroporto Internacional Binacional Ponta Porã - Pedro Juan Caballero*, o primeiro aeroporto de uso conjunto dos dois países.
*O que conhecer*
- *Parque Estadual dos Ervais* - um dos maiores parques urbanos do interior de MS
- *Museu da Erva-Mate* - conta o ciclo que formou a região
- *Linha da Fronteira* - o ponto mais fotografado: uma rua, dois países
- *Cassino Amambay* - do lado paraguaio
- *Feira Fronteira Criativa* - artesanato brasileiro e paraguaio, com Pix e guarani no mesmo balcão
Ponta Porã é isso: metade Brasil, metade Paraguai, 100% fronteira.




